– Myokko! – gritava o garoto do lado de fora.
Tudo começou à 4 anos atrás, quando eu tinha apenas 10 anos. Um ano depois da invasão dos titãs na Muralha Maria.
– Myokko, Rukasu já chegou – Avisou minha mãe. – Brinque perto de casa, Okay ? Chamarei vocês quando o almoço estiver pronto.
– Okay! – Dei a ultima mordida em meu pedaço de pão e corri em direção a porta – Tchau, mãe !
– Ah, Myokko! – Ela botou a mão em meus ombros – Papai está voltando hoje de fora das muralhas, depois do almoço vamos vê-lo, então...não se atrase ! – Ela abria um sorriso – Não se esqueça do peixe.
– Está bem, não irei me atrasar – Sai de casa e corri em direção à Yomono, que estava sentado perto da porta. – Yomono, O que está fazendo aí sentado ?
Seu nome é Yomono Rukasu, meu rival. Alguns centímetros mais alto que eu, seu cabelo é negro e um pouco curto, com uma franja grande que cai perto dos olhos. Estava vestindo uma camisa de manga larga cinza, um pouco amarrotada e suja, sua calça negra estava um pouco rasgada.
– Vamos logo, seu pai vai voltar daqui à 2 horas – Yomono se levantava. – Vamos brincar de desafio !
– Eu começo! – Me aproximei de duas cestas perto da porta e chutei uma delas em direção a Yomono, pegando a outra para mim– Quem pegar mais peixe ganha – Apontei para o lago perto de casa.
Começamos a andar em direção ao lago com passos largos, conforme andávamos, ia ficando mais e mais rápido. Yomono saltava em direção ao lago, retirando rapidamente a sua mão de dentro da água, com um peixe em sua mão.
– Numero 1 ! – Yomono jogava o peixe na cesta. – Consegue superar essa, Myokko ?
– Você não vai me superar desta vez, Yomono! – Me aproximei do lago, a procura de um peixe por perto.
(...)
– 16, 17, 18 e...19! – Yomono abria um sorriso vitorioso – Quantos você pegou, Myokko ?
– 15... – Respondi, derrotada. – Arg! Isso é tão frustrante e...constrangedor !
– Você vai conseguir me alcançar...um dia – Yomono pegava a sua cesta, e então, se virava em minha direção, mandando língua. – Mas, não será hoje !
– Idiota! – Peguei a minha cesta. – Corrida até minha casa ?
– Vai comer poeira!
Yomono saiu em disparada em direção a minha casa com a cesta em suas mãos, eu fui logo em seguida. Admito que é um pouco difícil correr segurado aquela cesta, parece estar mais pesada que antes, muito mais pesada. Me pergunto se Yomono está tendo a mesma dificuldade.
Finalmente chegamos em casa e...Yomono ganhou, de novo.
– Mãe, aqui estão os peixes! – Botei a cesta ao seu lado. – Yomono também pegou alguns.
– Obrigada, Myokko e Rukasu! – Minha mãe abriu as cestas e botou todos os peixes juntos em uma só cesta. – Trouxeram bastante, vai durar por uma semana!
– Desculpe, tia – Yomono coçava a cabeça – Sou um pouco exagerado quando se trata de vencer a Myokko.
– Tsc...- Encarei Yomono mortalmente.
– Podem brincar mais, crianças – Mamãe começava a lavar alguns peixes – Chamarei vocês na hora do almoço.
Eu e Yomono nos encaramos e corremos para fora de casa, agradecendo minha mãe a cada passo que dávamos. Brincamos de qualquer coisa que vinha em nossa mente, até nossa energia se esgotar.
– O Almoço está demorando... – Disse Yomono. – Será que ela está fazendo todos aqueles peixes ?
– Com certeza, não – Encarei as flores que havia pego para meu pai e meu irmão. – Já está quase na hora do papai e irmão voltarem da missão...vamos voltar para casa, quem sabe ela precise de ajuda.
– Certo – Yomono lançou um sorriso vitorioso – Aposto que ajudo mais.
– Não desta vez – Corri em direção a minha casa – Não permitirei que você ganhe de mim desta vez...!
Yomono aparecia em meu lado, com um sorriso largo. – Boa sorte !
Diminui a velocidade cada vez mais que me aproximava de minha casa, até parar totalmente. Yomono passava correndo por mim e então, parava, indo até o meu lado, me encarando de forma estranha.
– O que houve, Myokko ? – Perguntou Yomono.
– Fumaça...- apontei para minha casa.
– O qu...?
– Não...por favor, não...- Comecei a correr em direção a minha casa, deixando as flores caírem. - Mãe...!!
– Myokko...!
A Cada passo que dava, ia ficando mais e mais quente; sentia dificuldade para respirar e estava bastante difícil de enxergar, a fumaçava só estava dificultando as coisas.
Finalmente havia entrado em casa. Agora, dava para ver as grandes labaredas engolindo qualquer coisa que tocasse, todos os móveis estavam negros como carvão e a casa parecia estar desabando lentamente.
– M... mãe...? – Tampei meu rosto com o casaco – O...Onde você está?
Meus pés começaram a se movimentar sem a minha vontade, indo em direção a cozinha. Parecia estar hipnotizada, mas acabei saindo de meus devaneios quando tropecei, caindo em alguma coisa quente.
– O qu...? - Recuei, encarado minha mão direita. - O que foi isso...?
Encarei o chão, tentando achar no que havia tropeçado. Era apenas um pedaço de madeira envolvido por uma pequena labareda, que por sorte, havia queimado um pouco minha mão direita.
– Tia...?! – Gritou Yomono, entrando na casa com um olhar de pânico. – M...Myokko...onde você está...?
– Yomono! - Me levantei rapidamente, indo em sua direção.
– Myokko...? - Yomono se virava para a minha direção. - Vamos procurar a sua mãe. Eu vou ver se ela está no seu quarto, tenta procura-la no quarto dela.
– S...Sim
Andei lentamente até seu quarto, que estava com a porta destruída por causa das chamas. Pode parecer bobo, eu estava com medo...muito medo do que podia ver, é como se algo me alertasse para não entrar ali, pois ia me arrepender.
Senti uma coisa agarrar minha mão. Me virei rapidamente, com o coração disparado, mas acabo me acalmando ao ver que era só Yomono segurando a minha mão, como se estivesse me encorajando a entrar no quarto.
– Ela não estava lá... – Yomono me encarou nos olhos, sério – O Único lugar que não vimos, é aqui...
Entrei no quarto de meus pais, parecia que as chamas estavam menores que as da cozinha. Encarei a janela ao lado da cama de meus pais, que estava aberta e o vidro estava com uma rachadura.
– O qu...
Me virei lentamente e senti uma presença ao meu lado, não era uma presença viva, era um...um corpo, um corpo cheio de queimaduras graves, olhando o nada com uma expressão sem sentimento.
Meu corpo começou a tremer novamente. Eu queria correr, gritar, qualquer coisa...mas, não conseguia. Cai de joelhos ao lado do corpo, minha mão foi em direção ao rosto do cadáver, tirando alguns fios de cabelos do rosto, revelando ser quem eu menos queria que fosse...minha mãe.
– Não...não,não... – Encarei minha mão suja de sangue – não...por favor, não...NÃO !
Tentei esconder meu rosto, não queria que Yomono vesse tal coisa, me acharia fraca e isso seria mais um motivo para zoação, mas...eu não conseguia esconder meus sentimentos, estava me sentindo triste, deprimida, com ódio, muito ódio.
Me virei lentamente em direção a porta, Yomono não estava mais lá. Fiquei em completo desespero, agora estava sozinha, completamente sozinha.
Escutei um estrondo vindo da cozinha e corri até lá para ver o que tinha acontecido, e se a pessoa que tivesse feito tal coisa com a minha mãe ainda estava aqui ? Era Yomono, Ele estava ajeitando o pano no rosto.
– Yomono...O que houve?! – Perguntei com algumas lágrimas ainda escorrendo pelo rosto.
– Vamos sair daqui, rápido! - Yomono segurava minha mão. - A Casa .... está desabado!
– O que...? - Encarei o quarto de minha mãe enquanto Yomono me puxava para fora de casa. - Espera...!
C O N T I N U A

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