sexta-feira, 8 de novembro de 2013

0.2 - Decisões




– O que...? - Encarei o quarto de minha mãe enquanto Yomono me puxava para fora de casa. - Espera...! “
(...)
– Onde...onde estou? - Encarei em volta. - Foi tudo um... pesadelo?
Não... não foi um pesadelo...
... Estou me recordando...


" – Os Delinquentes que fizeram isto com sua mãe! – Yomono apertava com força o cabo da faca. – Eu sei onde eles estão...Myokko... – Yomono se virou para mim – Vá procurar seu pai, depois eu te encontro lá. "
Yomono, onde você está indo...? Não pode ir lutar...

" – Mas também não podemos deixa-lo fugir! – Yomono saiu andando em direção à floresta. – Por favor, vá chamar seu pai..."
O que estou fazendo deitada...?
Me levantei, um pouco atrapalhada e corri em direção a cidade, até avistar uma grande multidão que atrapalhou um pouco o meu caminho até meu pai. Quando finalmente cheguei perto dos soldados, tentei achar meu pai e irmão. Onde...
...Onde estão vocês ?
– Aquele é Akira...? - Perguntou um indivíduo – Ele parece um pouco...acabado.
– O Filho deve ter dado trabalho – Respondeu o outro Indivíduo.
Realmente, Papai tinha uma aparência horrível. Seu cabelo marrom estava completamente bagunçado, com algumas faixas em sua cabeça e em seu braço – Provavelmente quebrou o braço. Tinha alguns cortes no rosto e um olhar triste. Meu irmão estava montado em um cavalo ao lado de papai, permanecia de cabeça baixa, evitando a multidão.
– Pai ! – Tentei sair da multidão.
Ele saia de seus devaneios após meu chamado, me encarava nos olhos e abrindo um pequeno sorriso torto enquanto parava o cavalo. Seakull parava seu cavalo no mesmo instante, saltando dele e indo em minha direção.
– Myokko...quanto tempo – Seakull abria um sorriso triste – Cuidou bem da mamãe ?
Aquela pergunta foi uma facada em meu coração. Não sabia como responder, como dar a noticia, não sabia o que fazer, mas parece que Seakull havia entendido, pois seu olhar era sem sentimento e completamente vazio. Meu pai se aproximou de nós dois, botando a mão em minha cabeça e bagunçando o meu cabelo.
– O que houve ? – Perguntou papai rindo – Vocês dois parecem estar tão abalados...
– Como...? – Seakull apertou os punhos.
– Mamãe... – Meu corpo começou a tremer novamente. – Ela...– Abaixei minha cabeça e juntei todas minhas forças para falar sem “desmoronar “, mas foi em vão. – Ela...morreu...
Papai parava de rir e seu sorriso se desmanchava aos poucos, me encarava nos olhos. Ele se ajoelhou na minha frente e segurou o meu braço com força, com um olhar de pânico.
– Quando?! Como?! Onde ?! – Perguntou papai, a procura de respostas - Myokko, onde você estava na hora ?!
– P...Para! Está doendo! – Tentei fazer ele soltar meu braço, mas acabei caindo no chão graças a força que tive de fazer. – Eu...eu estava brincando com Yomono e quando voltei...ela...a casa...
– Não precisa dizer mais nada... – Disse papai enquanto montava em seu cavalo. – Vamos, Seakull, Myokko. – Ergueu a mão em minha direção.
– Sim... - Segurei a mão de meu pai, que no mesmo instante me puxava, me ajudando a subir no cavalo.
Dois soldados com os braços abertos paravam em nossa frente, nos impedindo de partir.
– Onde vocês pensam que vão ?! – Perguntou o mais alto. – Não podem sair do nada!
– Já não basta vocês terem saído para falar com a criança – Disse o segundo homem, apontando para mim.
– Eu preciso ir...por favor, entend-
– Minha mãe acaba de morrer, não sabemos se foi uma morte natural ou nas mãos de um sujeito...- Disse Seakull, com um olhar frio. – E se fosse na mão de um sujeito, ele está a solta e pode estar exatamente agora matando outra pessoa ou roubado...a próxima vítima pode ser qualquer um, até mesmo...um familiar...então, poderiam dar licença ?
Os soldados assentiam e se retiravam, indo em direção a grande multidão que fechava a passagem.
– Abram passagem! – Gritavam – Deixem eles passarem !
(...)
– Myokko, fique aqui...Okay ? – Disse papai enquanto me ajudava a sair de cima do cavalo – Não vamos demorar muito, só vamos examinar o local...
Meu corpo estava mais pesado, sentia uma extrema culpa por não estar com a minha mãe em tal momento, pensando bem, não adiantaria de nada se eu estivesse ali, seria apenas um peso morto a minha mãe. De qualquer jeito, ela morreria.
Sai de meus devaneios assim que escutei uma voz família me chamando, parecia que estava vindo na direção da floresta, parecia a voz de...Yomono! Caminhei lentamente em direção à floresta, até poder ver Yomono se aproximando.
– Yomono...! – Encarei o corte que tinha em seu rosto – Você está...sangrado...
– Desculpe...eu... – Yomono encarou a lâmina da faca, que estava com um líquido vermelho, acredito que seja sangue – Eu não consegui mata-lo, mas...acho que facilitei um pouco, caso alguém queira procura-lo...
– O...o que você fez?
– “ Y “, de Yomono! – Ele abria um sorriso, botando o polegar na bochecha – Bem aqui!
Nossa “conversa” era interrompida com o som da única porta de pé caindo. Papai saia de dentro da casa, encarando nós dois com uma expressão séria, mas dava para ver o quanto estava arrasado por dentro.
– Yomono Rukasu, certo? – Perguntou meu pai, encarado-o.
– Sim, senhor... – Yomono o encarava nos olhos. – Eu...eu fiz algo errado?
– Não, pode ficar calmo... – Seu olhar ficou um pouco mais calmo. – Só quero conversar com você, me acompanhe...
Papai e Yomono foram se afastando. Infelizmente, não dava para ouvir o que diziam, mas Yomono permanecia quieto, apenas assentindo.
Assim que voltavam, papai se ajoelhou na minha frente, botando as mãos em meu ombro e me encarando nos olhos. Yomono parava em seu lado, encarado o chão.
– Myokko, você sabe que eu vou ter que voltar para a tropa...- Papai olhava para o símbolo em seu braço – Não posso deixar você sozinha nesta casa, seria muito perturbador para uma criança, então... – Ele se virava para Yomono – Você poderia ficar uns dias na casa de Yomono Rukasu? É Só uns dias, eu prometo...nesses dias, vou tentar achar um local para você fic-
– Eu quero ir com você! – Interrompi.
C O N T I N U A

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