segunda-feira, 11 de novembro de 2013

0.3 - Promessas




“ - Eu quero ir com você! – Interrompi.”
– Você só tem 10 anos! – Disse papai, me encarando nos olhos novamente. – Ainda é muito nova para enfrentar isso!
– Eu posso me alistar cedo, vou poder aprender mais coisas e...
– Myokko, apenas faça o que eu disse. – Papai se levantava – Fique com o garoto por alguns dias, os pais dele vão cuidar de você.

– Mas...o Yom – Yomono me interrompia, botando o indicador perto da boca, indicando para que eu fique quieta. - ...Está bem, eu vou ficar na casa dele, mas...você promete que vai voltar?
– Tentarei... – Disse Papai, montando no cavalo. – Até alguns dias, Myokko...agradeço novamente, Yomono Rukasu.
– Tranquilo – Yomono abria um sorriso torto.
(...)
Assim que se foram, Nós entramos na casa de Yomono, que era um pouco vazia e...abandonada.
– Você ainda finge que nada aconteceu...? - Perguntei
Um ano atrás, quando os titãs invadiram a Muralha Maria, os pais de Yomono foram mortos, mas ele não procurou nenhum abrigo, ficou apenas algumas semanas no abrigo e foi ter a sua própria vida. Poucas pessoas sabem do passado de Yomono, e eu sou uma delas, ele mantém em segredo – Ainda não entendo o porque.
– Você quase me entregou hoje – Yomono deitava nos cobertores jogados no chão. - ...Você não está tão abalada, isso é bom, eu acho...
– Não mostro minhas fraquezas para os meus inimigos... – Me enrolei no cobertor.
Yomono se sentava, me encarando de forma estranha. – Eh ?!
– Mudando de assunto... – Me sentei na cama – Yomono, você vai servir ?
– Yeah! – Yomono puxava uma caixa de baixo de sua cama – Eu vou me tornar um soldado e ir para a Equipe de Exploração! – Ele abria a caixa enquanto falava sobre seu sonho, revelando ter um livro – Ver como é o mundo fora das muralhas, matar titãs...é tudo o que eu quero...
– Este livro... – Apontei para a capa – Sobre o que ele fala?
– Eu encontrei este livro na invasão de um ano atrás, estava jogado no chão... – Yomono encarava a capa, com os olhos brilhando – Ele é incrível! Fala sobre o ponto fraco dos titãs, sobre os equipamentos...
– Meu pai já me falou em relação ao ponto fraco – Desci da cama, me sentando ao seu lado – Ele fica na nuca, certo?
– Sim! – Yomono abria o livro nas primeiras páginas. – Me prometa que vai deixar isso em segredo, se alguém descobrir que tenho um livro desses...
– Prometo.
(...)
Já se passaram dois dias e o meu pai ainda não apareceu para me buscar...Me pergunto se ele está procurando algum lugar ou se realmente me esqueceu aqui.
A Gente estava almoçando, quando alguém bateu na porta. Era o meu pai.
– Myokko, vamos.
– Yom...digo, Ru...kasu, obrigada... – Me virei para ele, com um sorriso triste no rosto. – Me prometa uma coisa...me prometa que vai me visitar sempre que puder!
– Eu prometo. – Yom...Rukasu abria um sorriso.
– Agradeço por tudo, Yomono Rukasu. – Papai segurava a minha mão. – Obrigado por cuidar de Myokko, Até algum dia...
Papai não falou nada durante a “ viagem “, apenas me guiou para tal local. O Local parecia ser bem agradável, uma casa grande completamente feita de madeira, várias crianças, as “tias” eram gentis e rígidas, pelo menos foi isso o que meu pai disse – uma das suas poucas palavras durante a caminhada.
– Chegamos, Myokko. – Papai batia no portão de madeira.
– Papai, você vai me visitar...? – Perguntei enquanto esperava que alguém abrisse o portão.
– Myokko, você sabe que sendo da Tropa de Exploração, papai tem muitas missões... – Disse papai, encarado o chão. – Mas eu tentarei, está bem?
Uma mulher quase do tamanho de meu pai abria a porta, seus cabelos eram loiros e seu rosto era angelical, um pouco sério. Usava uma roupa parecida com a de uma freira.
– O que desejam...? – Ela me encarava. – Ah, você é a garota que perdeu a mãe, mas o pai é da Tropa de Exploração e não pode cuidar de você, certo?
– Sim, é ela – Respondeu papai – Myokko, vá conhecer o local, vou ficar aqui conversando com a senhorita...?
– Rose... – Completou, olhando com desgosto para o meu pai.
– Está bem...
Passei pelo grande portão de madeira e...nossa...tudo era simplesmente incrível. Havia um grande jardim, repleto de flores de todas as cores possíveis, a Casa era grande e feita de madeira, tudo era exatamente como meu pai disse durante a “viagem”.
Na varanda, havia uma garota sentada em uma cadeira ao lado da porta, encarando o chão. Seu olhar era assustador, não dava para saber se estava com ódio ou apenas com medo. Seus cabelos negros escondiam um pouco o rosto, lágrimas escorriam ligeiramente por sua bochecha, molhando os machucados em seu rosto. Me aproximei aos poucos da garota, que no mesmo instante, me encarou com um olhar assustado.
– O que quer?! – A Garota me analisou – Ah...nunca te vi por aqui, é nova? Droga, me desculpe...
– Está tudo bem, desculpe incomoda-la, mas... – Me sentei ao seu lado – Por que está chorando? E seu rosto...ele está machucado...por quê?
Ela parecia surpresa com a situação. – Isso não é nada de mais...apenas briguei com alguns garotos que fizeram merda e jogaram tudo em cima de mim...mas... – Ela botava a mão no rosto, voltando a ter pânico no olhar. – Eu não quero...não quero ir “lá”...
– O que...? – Perguntei. – “ Lá”? Onde?
– A Sala do castigo... – A Garota tirava a mão do rosto, encarava o chão. – Posso fazer uma pergunta...? Digo, Qual seria o seu nome?
– Teshigawara Myokko. – Respondi – E como você se chama?
– Nemesis, Hoover Nemesis – A Garota abria um pequeno sorriso.
(...)
– É hora da visita! – Gritava Tia Rose pela casa.
Já se passaram três meses.
– Veio apenas cinco casais...- Disse Nemesis, afagando o cabelo de seu irmão caçula. – Parece que um deles tem um filho, mas...qual?
– Um filho? – Encarei os casais que passavam pela porta, quando finalmente encontrei o garoto que Nemesis falava. – Aquele garoto...! Yom...digo, RUKASU!
– Myokko! – Rukasu corria em nossa direção, acenando e com um grande sorriso estampado no rosto. – Eu sempre cumpro minhas promessas!

C O N T I N U A

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